Guia completo sobre ovodoação: entenda o processo, os tipos e as chances de engravidar
A jornada para a maternidade nem sempre segue o caminho que imaginamos. Em alguns momentos, a vida nos convida a explorar novas possibilidades — e a ovodoação surge como uma alternativa para mulheres que desejam engravidar, mas precisam do apoio de óvulos doados.
Também chamada de doação de óvulos, essa técnica permite que mulheres, casais homoafetivos masculinos e pais solteiros realizem o sonho de formar uma família por meio de gametas doados, oferecendo novas oportunidades para a construção da maternidade e da paternidade.
O que é a ovodoação?
A ovodoação é um tratamento em que óvulos de uma doadora são utilizados por meio da fertilização in vitro (FIV) para formar embriões, que posteriormente são transferidos para a receptora. Trata-se de uma técnica segura, indicada para mulheres que, por diferentes motivos, não podem utilizar seus próprios óvulos.
Embora o material genético pertença à doadora, a gestação acontece integralmente no corpo da receptora, que participa ativamente da construção daquele bebê — nutrindo, protegendo e influenciando seu desenvolvimento desde o primeiro momento.
Quando a ovorecepção é indicada?
A ovodoação é recomendada principalmente para mulheres que enfrentam situações como:
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Falência ovariana prematura
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Tratamentos anteriores sem o desenvolvimento adequado de embrião
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Idade materna avançada
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Doenças genéticas que contraindicam o uso dos próprios óvulos
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Ausência de ovários por cirurgia ou condições médicas
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Insucessos repetidos em fertilização in vitro
Nesses casos, a recepção de óvulos pode aumentar significativamente as chances de gestação, oferecendo uma oportunidade concreta para realizar o sonho da maternidade.
Taxas de sucesso com ovodoação
A ovodoação apresenta altas taxas de gestação, principalmente porque os óvulos utilizados vêm de mulheres jovens e com boa saúde reprodutiva. Por isso, em muitos casos, as chances de gravidez podem superar a 60% por transferência embrionária, variando conforme a idade da doadora e a qualidade dos embriões.
Assim, a ovodoação se torna uma alternativa para quem busca realizar o sonho de gerar um bebê.
Quais são os tipos de doação de óvulos?
Existem diferentes possibilidades de ovodoação para atender perfis e necessidades específicas
1. Bancos de óvulos
Os bancos de gametas armazenam óvulos doados para uso em tratamentos de Reprodução Assistida, sempre em conformidade com as normas éticas do CFM (Resolução nº 2.320/2022).
As doações são anônimas, voluntárias e passam por uma triagem rigorosa, que inclui exames de saúde, histórico familiar e avaliações genéticas.
Também existe a possibilidade de importar óvulos de bancos internacionais, como da Argentina. Nesses países, a doação de óvulos é remunerada, o que faz com que o número de doadoras seja significativamente maior. Como consequência, as chances de encontrar uma doadora compatível em menos tempo aumentam de forma expressiva.
Confira aqui as empresas que estão autorizadas pela Anvisa a importar gametas.
2. Ovodoação compartilhada
Na ovodoação compartilhada, uma paciente em tratamento de Reprodução Assistida doa parte de seus óvulos para que outra mulher possa realizar a FIV. Nesse modelo, regulamentado pelo CFM, o grande diferencial é o compartilhamento dos custos, o que torna o tratamento mais acessível para a doadora.
Segundo a Resolução CFM nº 2.320/2022, esse formato deve seguir critérios bem definidos. Antes de tudo, a doação precisa ser totalmente voluntária, sem nenhum caráter comercial ou financeiro. Além disso, o anonimato entre doadora e receptora deve ser garantido, preservando a privacidade de ambas.
A doadora também deve atender a requisitos clínicos rigorosos:
– precisa ter até 37 anos, estar saudável e apta para o procedimento;
– realizar exames sorológicos e avaliação genética.
Para reforçar a transparência e a segurança, ambas assinam o Consentimento Livre e Esclarecido, confirmando que compreendem todas as etapas, responsabilidades e implicações do processo.
3. Ovodoação de parente de até 4º grau
A ovodoação entre parentes é permitida apenas entre parentes consanguíneos de até 4º grau, como irmãs, primas, sobrinhas ou tias da receptora. No entanto, para garantir a segurança genética, não pode existir consanguinidade entre a doadora e o parceiro da receptora. Isso significa que mãe, irmã, tia ou prima do parceiro não podem atuar como doadoras, evitando qualquer risco de transmissão de doenças hereditárias.
Além disso, como esse formato envolve relações familiares — muitas vezes carregadas de vínculos afetivos e expectativas — o acompanhamento psicológico é essencial. Ele ajuda todas as partes a compreenderem o processo, acolher sentimentos, alinhar expectativas e tomar decisões de forma consciente e harmoniosa.
Assim como em qualquer modalidade de doação, a doadora precisa estar saudável, apresentar boa reserva ovariana e cumprir todos os critérios clínicos, laboratoriais e éticos estabelecidos pelo CFM.
Para reforçar a transparência e a voluntariedade, ambas assinam o Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo que todas as etapas aconteçam com ética e total segurança.
Como funciona o processo de ovodoação?
1. Escolha da doadora
Após a equipe identificar uma doadora compatível, a clínica informa a receptora e já agenda o início do tratamento.
2. Preparação da receptora
Quando o laboratório de embriologia recebe os óvulos, a receptora pode iniciar a preparação do endométrio para receber o embrião. Durante essa fase, realizamos ultrassons seriados para avaliar a espessura e o aspecto endometrial, assegurando que o útero esteja realmente receptivo antes da transferência.
3. Fertilização e desenvolvimento embrionário
Enquanto isso, a equipe de embriologia fertiliza os óvulos da doadora com o sêmen do parceiro ou de um doador. Depois, cultivamos os embriões no laboratório até alcançarem o estágio ideal — normalmente o 5º dia de desenvolvimento, quando se tornam blastocistos.
4. Transferência embrionária
Quando o momento chega, transferimos o embrião para o útero da futura mamãe, em um procedimento rápido, indolor e cheio de significado.
5. Acompanhamento da gestação
Após o teste positivo, a receptora segue com o pré-natal habitual, mantendo todos os cuidados necessários para uma gestação saudável.
Ovorecepção: como fica o registro do bebê?
Quando o bebê nasce, o registro é exatamente igual ao de qualquer outra criança.
A certidão de nascimento inclui apenas os dados dos pais legais — sem qualquer menção ao uso de óvulos doados, ao tratamento ou à técnica de concepção utilizada.
Ou seja, a doadora não aparece no documento, não assume direitos ou deveres em relação ao bebê e não estabelece qualquer vínculo jurídico, social ou familiar.
Esse sigilo segue a determinação da Resolução CFM nº 2.320/2022, que reforça: a parentalidade pertence integralmente à receptora e ao seu parceiro (quando houver).
Assim, a ovorecepção oferece uma possibilidade de construir a família desejada com segurança.

