Trombofilia e infertilidade

Trombofilia e infertilidade: entenda a relação

A trombofilia pode afetar a fertilidade, dificultando a implantação do embrião e aumentando o risco de aborto espontâneo

 

A trombofilia pode impactar a fertilidade ao comprometer a implantação do embrião e aumentar as chances de aborto espontâneo. Por isso, em alguns casos, a investigação dessa condição faz parte da avaliação das causas da infertilidade, ajudando a orientar o tratamento mais adequado e a aumentar as chances de gravidez.

O que é trombofilia?

A trombofilia é uma condição caracterizada por alterações na coagulação sanguínea que aumentam a predisposição à formação de coágulos (trombos). Ou seja, é uma predisposição para ter trombose. Existem dois tipos principais de trombofilia: hereditária e adquirida.

Trombofilia hereditária

Ocorre devido a alterações genéticas que regulam ou codificam a coagulação. A gravidade da condição pode variar conforme a pessoa herde duas cópias alteradas do gene (uma do pai e outra da mãe) ou apenas uma cópia.

As trombofilias hereditárias mais comuns são:

  • Fator V de Leiden
  • Mutação G20210A da protrombina

Outras menos prevalentes incluem:

  • Deficiência de proteína C
  • Deficiência de proteína S
  • Deficiência de antitrombina III

Trombofilia adquirida

A trombofilia adquirida está frequentemente relacionada a distúrbios autoimunes, como a Síndrome dos Anticorpos Antifosfolipídicos (SAF).

Na SAF, o sistema imunológico produz anticorpos antifosfolipídicos (aPL), que atacam proteínas ligadas aos fosfolipídios das membranas celulares. Esses anticorpos alteram o funcionamento normal da coagulação e favorecem a formação de trombos.

Os principais anticorpos pesquisados na suspeita de SAF são:

  • Anticardiolipina (aCL)
  • Anticoagulante lúpico (LAC)
  • Anti-β2 glicoproteína I (anti-β2GPI)

Importante: Para confirmar a SAF, os exames precisam estar alterados em duas coletas com intervalo mínimo de 12 semanas, já que os anticorpos podem aparecer temporariamente, por exemplo, após uma infecção.

Trombofilia e infertilidade: qual a relação?

A trombofilia aumenta a tendência do sangue a coagular, favorecendo a formação de trombos — coágulos que podem se formar em veias ou artérias.

Quando esses coágulos afetam a circulação uterina ou placentária, podem prejudicar a implantação do embrião e o desenvolvimento saudável da gestação. Por isso, a identificação da trombofilia permite que medidas preventivas sejam tomadas para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso reprodutivo. Então, a trombofilia pode estar associada a:

  • Abortos de repetição
  • Falhas em tratamentos de reprodução assistida (FIV)
  • Complicações gestacionais como descolamento prematuro da placenta ou insuficiência placentária e maior risco de pré-eclâmpsia

Por isso, identificar a trombofilia em pacientes com infertilidade ou histórico de perdas gestacionais é essencial para orientar o tratamento e aumentar as chances de sucesso na reprodução assistida.

 

Exames de trombofilia para mulheres que desejam engravidar

A investigação não é indicada para todos os casais, mas é recomendada quando existem sinais de alerta:

  • Histórico pessoal ou familiar
  • Duas ou mais perdas gestacionais consecutivas
  • Falhas repetidas em FIV sem outra causa aparente

Então, a identificação da trombofilia envolve uma combinação de avaliação clínica e exames laboratoriais. Entre eles:

  • Mutação do fator V de Leiden;
  • Teste de Anticoagulante Lúpico (LAC);
  • Níveis de Proteínas S e C;
  • Antitrombina (aCL);
  • Anti-β2 glicoproteína I (anti-β2GPI)

Tratamentos para trombofilia e cuidados

Quando a trombofilia é identificada, existem estratégias que podem reduzir riscos e aumentar as chances de gestação:

  • Ácido acetilsalicílico em baixa dose (AAS infantil): ajuda a reduzir a formação de microcoágulos, favorecendo a implantação embrionária e o desenvolvimento adequado da placenta.
  • Heparina de baixo peso molecular: indicada em casos selecionados, durante o tratamento de reprodução assistida e ao longo da gestação, diminuindo o risco de trombose e complicações obstétricas.
  • Associação das duas medicações: em situações específicas, o uso combinado de AAS e heparina pode trazer benefícios adicionais, sempre sob orientação médica.

É importante destacar que nem toda trombofilia requer tratamento. Estudos sobre trombofilia e infertilidade ainda apresentam resultados contraditórios, e muitas pesquisas não identificam impacto significativo na fertilidade. Por exemplo, mulheres com apenas uma cópia alterada do fator V de Leiden ou da mutação da protrombina G20210A geralmente não apresentam aumento do risco de aborto recorrente.

Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o histórico clínico, exames laboratoriais e o plano reprodutivo da paciente. O acompanhamento por um especialista em reprodução assistida é fundamental para definir a melhor abordagem e aumentar as chances de uma gestação bem-sucedida.

Conclusão

A presença de trombofilia representa desafios importantes para mulheres que desejam engravidar. A condição pode interferir na implantação do embrião e aumentar o risco de complicações gestacionais, tornando essencial uma abordagem cuidadosa e individualizada.

Identificar a trombofilia precocemente e adotar um tratamento personalizado são passos fundamentais para minimizar riscos e maximizar as chances de uma gestação saudável.

Então, contar com orientação médica especializada faz toda a diferença. Agende uma consulta com o Dr. Gabriel Monteiro e dê o primeiro passo em direção a uma jornada de fertilidade mais segura.

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