Embrião em desenvolvimento

Embrião 4AB, 5AA… como interpretar a classificação dos embriões

A classificação dos embriões permite que os embriologistas avaliem a aparência e o desenvolvimento de cada embrião após a FIV.

Logo após a Fertilização in Vitro, os embriologistas realizam um dos momentos mais aguardados do tratamento: a avaliação dos embriões em desenvolvimento no laboratório. Com essa análise, eles identificam quais embriões apresentam melhores condições de se desenvolver e alcançar a tão sonhada gestação.

Mas vale lembrar: a avaliação dos embriões se baseia apenas na sua aparência naquele instante, por meio de uma análise morfológica. E a prática diária nos revela uma verdade emocionante: embriões que parecem “menos bonitos” podem sim se transformar em bebês fortes, lindos e saudáveis. Por outro lado, mesmo os embriões com a melhor classificação não trazem a garantia de um teste positivo.

Como é feita a classificação dos embriões?

O embrião se forma quando o óvulo encontra o espermatozoide. Na Fertilização in Vitro (FIV), esse encontro acontece no laboratório. A partir daí, os embriologistas acompanham cada etapa do desenvolvimento com extremo cuidado. Durante esse acompanhamento, eles classificam os embriões. Essa classificação analisa principalmente a morfologia, ou seja, a aparência e a organização das células em cada fase. Com base nesses critérios, os especialistas definem quais embriões apresentam melhores condições para a transferência ao útero.

Nos primeiros dias, o embrião passa por divisões celulares sucessivas:

  • D1 (primeiro dia) – O embrião entra no estágio pronuclear, quando os dois pronúcleos ficam visíveis no citoplasma do zigoto.

  • D2 (segundo dia) – Em seguida, ele se divide em 2 a 4 células.

  • D3 (terceiro dia) – Então, o embrião pode atingir até 8 células.

  • D4 (quarto dia) – Nesse momento, as células se compactam e formam a mórula.

  • D5, D6 ou D7 (quinto a sétimo dia) – Por fim, o embrião alcança o estágio de blastocisto, já com centenas de células. Nessa fase mais avançada, ele apresenta organização interna e se prepara para a implantação no útero. É neste estágio que pode ser realizada a biópsia embrionária para testes genéticos, como o PGT-A ou o PGT-M.

Classificação do embrião no 3º dia (D3)

No 3º dia de desenvolvimento, o embriologista faz a primeira avaliação morfológica do embrião. Nessa etapa, são observados o formato e a integridade das células, chamadas de blastômeros, para verificar se o desenvolvimento está acontecendo de forma adequada. A classificação é feita de acordo com os seguintes parâmetros:

  • A / G1 – Sem fragmentações; todas as células íntegras, redondas ou levemente ovaladas.

  • B / G2 – Até 10% de fragmentação, porém as são células simétricas.

  • C / G3 – Até 50% das células fragmentadas, porém a maioria é simétrica.

  • D / G4 – Mais de 50% de fragmentação e células assimétricas.

O esperado nesse estágio é que o embrião tenha 8 células. Portanto, um embrião classificado como 8A significa que ele apresenta o número ideal de células, com excelente qualidade e sem fragmentações.

Em alguns casos, a transferência embrionária é realizada em D3, dependendo da quantidade e da qualidade dos embriões disponíveis, bem como da avaliação clínica do médico responsável pelo tratamento.

Veja mais: Transferência em D3 ou blastocisto?

Qualidade embrionária no estágio de blastocisto

Entre o quinto e o sétimo dia após a fecundação, o embrião alcança o estágio de blastocisto, já com mais de 100 células e uma cavidade central chamada blastocele. Nesse momento, as células já começam a se especializar:

  • A massa celular interna (MCI) dará origem aos tecidos e órgãos do bebê.

  • As células externas formarão a placenta e os anexos embrionários, estruturas essenciais para nutrir e proteger o embrião.

Os embriologistas acompanham cuidadosamente esse desenvolvimento para avaliar a qualidade do embrião antes de uma possível transferência. Para isso, o sistema de classificação de Gardner é um dos métodos mais utilizados pelos laboratórios e considera três aspectos principais:

1. Expansão do blastocisto

A expansão do blastocisto é classificada conforme o quanto a cavidade ocupa do volume total do embrião. À medida que cresce, essa cavidade aumenta e a zona pelúcida — a “casca” que envolve o embrião — vai se tornando mais fina, até permitir a eclosão. No método de Gardner, essa evolução é graduada de 1 a 6:

Classificação do embrião
Fonte: Progenesis Brasil

2. Massa celular interna (MCI)

A massa celular interna (MCI) reúne as células do blastocisto que formarão o bebê. No sistema de classificação de Gardner, os embriologistas avaliam essa estrutura conforme a quantidade de células e a forma como elas se organizam, classificando-a de A a C.:

classificação de embrião massa celular interna (MCI)
Fonte: Progenesis Brasil

Pesquisas mostraram que a morfologia da MCI influencia diretamente as chances de nascimento vivo após transferir um único embrião congelado e descongelado das chances de nascimento vivo após transferir um único embrião congelado e descongelado.

3. Trofoderma (TE)

O trofectoderma (TE) forma a camada externa do blastocisto, e suas células se diferenciarão em placenta e membranas embrionárias. No método de Gardner, os embriologistas avaliam o TE segundo a organização e densidade das células, classificando-o com as letras A, B e C:

Classificação de embrião avaliação do Trofectoderma (TE)
Fonte: Progenesis Brasil

Na biópsia embrionária para análise genética e cromossômica, os embriologistas retiram algumas células do trofectoderma para avaliação, sem comprometer a massa celular interna, que dará origem ao bebê.

Perguntas frequentes sobre classificação de embriões

1. Qual a diferença entre a classificação Gardner e o PGT-A?

A classificação Gardner avalia o potencial do embrião com base na expansão, na massa celular interna (MCI) e no trofectoderma (TE). Ela mostra qualidade morfológica, mas não garante que o embrião seja geneticamente normal. O PGT (teste genético pré-implantacional) analisa os cromossomos do embrião, identificando alterações genéticas que podem impedir a implantação ou causar aborto.

2. Embriões com boa classificação podem ter alterações genéticas?
Sim. Mesmo que um embrião seja 4AA ou 5AA, ele ainda pode apresentar aneuploidias ou alterações cromossômicas que não aparecem na avaliação morfológica. Por isso, a classificação Gardner não substitui o PGT-A.

3. Por que meu embrião 5AA não conseguiu se implantar?
Infelizmente, embriões com ótima classificação ou cromossomicamente normais (euploides) não garantem gravidez. Muitos fatores podem afetar a implantação, como como condições do útero, receptividade endometrial, histórico geral de saúde, fatores hormonais, imunológicos…

4. Um embrião 3CC tem chance de implantação?
Sim! Mesmo com expansão e qualidade celular inferiores, um embrião como 3CC ainda pode se desenvolver e resultar em gestação. Seu potencial é menor que o de um embrião A/A, mas existe! Vale lembrar que muitos bebês lindos vieram de embriões que, um dia, foram considerados “menos perfeitos”.

5. A classificação Gardner muda após o congelamento?
Não. Os embriologistas classificam o embrião somente antes do congelamento.

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