A classificação dos embriões permite que os embriologistas avaliem a aparência e o desenvolvimento de cada embrião após a FIV.
Logo após a Fertilização in Vitro, os embriologistas realizam um dos momentos mais aguardados do tratamento: a avaliação dos embriões em desenvolvimento no laboratório. Com essa análise, eles identificam quais embriões apresentam melhores condições de se desenvolver e alcançar a tão sonhada gestação.
Mas vale lembrar: a avaliação dos embriões se baseia apenas na sua aparência naquele instante, por meio de uma análise morfológica. E a prática diária nos revela uma verdade emocionante: embriões que parecem “menos bonitos” podem sim se transformar em bebês fortes, lindos e saudáveis. Por outro lado, mesmo os embriões com a melhor classificação não trazem a garantia de um teste positivo.
Como é feita a classificação dos embriões?
O embrião se forma quando o óvulo encontra o espermatozoide. Na Fertilização in Vitro (FIV), esse encontro acontece no laboratório. A partir daí, os embriologistas acompanham cada etapa do desenvolvimento com extremo cuidado. Durante esse acompanhamento, eles classificam os embriões. Essa classificação analisa principalmente a morfologia, ou seja, a aparência e a organização das células em cada fase. Com base nesses critérios, os especialistas definem quais embriões apresentam melhores condições para a transferência ao útero.
Nos primeiros dias, o embrião passa por divisões celulares sucessivas:
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D1 (primeiro dia) – O embrião entra no estágio pronuclear, quando os dois pronúcleos ficam visíveis no citoplasma do zigoto.
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D2 (segundo dia) – Em seguida, ele se divide em 2 a 4 células.
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D3 (terceiro dia) – Então, o embrião pode atingir até 8 células.
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D4 (quarto dia) – Nesse momento, as células se compactam e formam a mórula.
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D5, D6 ou D7 (quinto a sétimo dia) – Por fim, o embrião alcança o estágio de blastocisto, já com centenas de células. Nessa fase mais avançada, ele apresenta organização interna e se prepara para a implantação no útero. É neste estágio que pode ser realizada a biópsia embrionária para testes genéticos, como o PGT-A ou o PGT-M.
Classificação do embrião no 3º dia (D3)
No 3º dia de desenvolvimento, o embriologista faz a primeira avaliação morfológica do embrião. Nessa etapa, são observados o formato e a integridade das células, chamadas de blastômeros, para verificar se o desenvolvimento está acontecendo de forma adequada. A classificação é feita de acordo com os seguintes parâmetros:
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A / G1 – Sem fragmentações; todas as células íntegras, redondas ou levemente ovaladas.
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B / G2 – Até 10% de fragmentação, porém as são células simétricas.
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C / G3 – Até 50% das células fragmentadas, porém a maioria é simétrica.
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D / G4 – Mais de 50% de fragmentação e células assimétricas.
O esperado nesse estágio é que o embrião tenha 8 células. Portanto, um embrião classificado como 8A significa que ele apresenta o número ideal de células, com excelente qualidade e sem fragmentações.
Em alguns casos, a transferência embrionária é realizada em D3, dependendo da quantidade e da qualidade dos embriões disponíveis, bem como da avaliação clínica do médico responsável pelo tratamento.
Veja mais: Transferência em D3 ou blastocisto?
Qualidade embrionária no estágio de blastocisto
Entre o quinto e o sétimo dia após a fecundação, o embrião alcança o estágio de blastocisto, já com mais de 100 células e uma cavidade central chamada blastocele. Nesse momento, as células já começam a se especializar:
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A massa celular interna (MCI) dará origem aos tecidos e órgãos do bebê.
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As células externas formarão a placenta e os anexos embrionários, estruturas essenciais para nutrir e proteger o embrião.
Os embriologistas acompanham cuidadosamente esse desenvolvimento para avaliar a qualidade do embrião antes de uma possível transferência. Para isso, o sistema de classificação de Gardner é um dos métodos mais utilizados pelos laboratórios e considera três aspectos principais:
1. Expansão do blastocisto
A expansão do blastocisto é classificada conforme o quanto a cavidade ocupa do volume total do embrião. À medida que cresce, essa cavidade aumenta e a zona pelúcida — a “casca” que envolve o embrião — vai se tornando mais fina, até permitir a eclosão. No método de Gardner, essa evolução é graduada de 1 a 6:

2. Massa celular interna (MCI)
A massa celular interna (MCI) reúne as células do blastocisto que formarão o bebê. No sistema de classificação de Gardner, os embriologistas avaliam essa estrutura conforme a quantidade de células e a forma como elas se organizam, classificando-a de A a C.:

Pesquisas mostraram que a morfologia da MCI influencia diretamente as chances de nascimento vivo após transferir um único embrião congelado e descongelado das chances de nascimento vivo após transferir um único embrião congelado e descongelado.
3. Trofoderma (TE)
O trofectoderma (TE) forma a camada externa do blastocisto, e suas células se diferenciarão em placenta e membranas embrionárias. No método de Gardner, os embriologistas avaliam o TE segundo a organização e densidade das células, classificando-o com as letras A, B e C:

Na biópsia embrionária para análise genética e cromossômica, os embriologistas retiram algumas células do trofectoderma para avaliação, sem comprometer a massa celular interna, que dará origem ao bebê.

